terça-feira, novembro 17, 2015

BIM - “AS LIÇÕES DE SINGAPURA”

Quem está interessado em ver como o BIM funciona em orgãos públicos, não pode deixar de ler e participar dos eventos do IOP – Instituto de Obras Públicas.

Fonte: Na integra, retirado do site http://www.iop.org.br/#!BIM-“AS-LIÇÕES-DE-SINGAPURA”/ca9p/5626d1620cf2c6c64380ccc2

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Por diversas vezes o Instituto de Obras Públicas-IOP tratou sobre o assunto BIM. E, mais uma vez, ele vem à tona. Mas como não tratar dele após a feliz descrição da experiência da implantação do mesmo em Singapura, publicada neste mês pela Revista Construção Mercado da Editora PINI, emartigo do Sr. Fernando Augusto Corrêa da Silva.

Para acessar a matéria completa se faz necessário um cadastro prévio no site da Editora PINI que é inteiramente gratuito. Mas tal é a importância desta publicação que a estamos reproduzindo integralmente ao final deste texto.

A experiência na implantação do BIM vem sendo noticiada aqui no Blog do IOP em artigos anteriores. Cita-se aqui, por exemplo, o artigo BIM – A EXPERIÊNCIA DO DNIT com a louvável iniciativa deste importante órgão na adoção da tecnologia BIM ao seu ambiente de trabalho e nas contratações de projetos e obras de infraestrutura de transporte.

Da mesma forma, o artigo BIM – A MODELAGEM DA INFORMAÇÃO DA CONSTRUÇÃO busca esclarecer do que se trata esta tecnologia tão importante atualmente no campo da engenharia e arquitetura. Neste mesmo artigo, o IOP já trata de outra publicação desta mesma Revista da Editora PINI, no qual afirma, dentre outras coisas, que "a formação de recursos humanos devidamente familiarizados com os novos paradigmas que o BIM pressupõe é essencial e urgente”.

Cabe, ainda, citar outro importante artigo do IOP a respeito: IOP e EXÉRCITO discutem os rumos da Engenharia no âmbito da Administração Pública, no qual é afirmado que “o Exército Brasileiro é pioneiro na implantação bem sucedida da Tecnologia BIM para planejamento e controle da contratação e execução de obras”. Afirma, ainda que “o Governo Federal precisa se tornar num dos principais incentivadores deste processo. Devemos nos preocupar em adotar os mesmos passos que o Exército já adotou, começando com algumas obras experimentais. Posteriormente, serão observados os benefícios advindos da adoção da tecnologia BIM, novas ideias de melhoria da implantação desta tecnologia surgirão, até se alcançar o limite ótimo de utilização do sistema. Isso servirá de exemplo e incentivo para os demais entes federados, até que se torne imperativo para todas as obras do Governo Federal”.

Nota-se metodologia similar de adoção do BIM em Singapura, de acordo com o informado pelo artigo da Revista Construção Mercado. A iniciativa partiu de órgão público federal daquele país, restrita a determinado porte de obras, e foi se expandindo aos poucos para as demais. Mas, infelizmente, no caso Brasileiro, não vem se dando a importância necessária para que as obras financiadas com recursos públicos federais adotem a tecnologia BIM. Aqui, a implantação aconteceu apenas nas obras do Exército. O Governo Federal continua não querendo ver as vantagens e a necessidade da adoção desta tecnologia.

Mas o IOP tem feito sua parte. Já foi encaminhado duas cartas com a proposta do IOP de adoção desta tecnologia. A primeira direcionada ao Grupo de Trabalho Interministerial para Acompanhar os Gastos Públicos do Governo Federal – GTAG. A segunda ao atual Senador Hélio José, membro da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal. Nas duas cartas está a proposta do IOP de adoção da tecnologia BIM, nos moldes da ferramenta implantada pelo Exército Brasileiro denominada OPUS.

As propostas do IOP corroboram perfeitamente com a experiência de sucesso em Singapura, relatada pela reportagem da Revista Construção Mercado. O IOP vem divulgando essa necessidade desde a sua fundação e vem mostrando a importância, a dificuldade e as soluções para superá-las. E quão grata foi conhecer a experiência de sucesso em Singapura, com a adoção do que o IOP vem propondo desde sempre. Percebeu-se as mesmas dificuldades que hoje o Brasil enfrenta. Mas, ao contrário do que se observa aqui, lá a iniciativa foi tomada pelo próprio Governo. Isso há cinco anos atrás!

Aqui a morosidade na adoção desta tecnologia vem mostrando a falta que a mesma faz para a implantação de obras públicas. O principal programa do atual governo, o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, vem enfrentando enormes dificuldades para avançar. O percentual pífio de obras acabadas reflete a dificuldade que o Governo Federal tem de implantar obras de infraestrutura com o que se dispõe de tecnologia, experiência e organização hoje dentro da Administração Pública Federal. Todas estouram prazos e orçamentos iniciais. O motivo já é de amplo conhecimento – a falta de projetos consistentes, de qualidade, e de dinamismo na análise e aprovação dos mesmos.

Outro ponto importante, e de casamento perfeito com as ideias do IOP, é a existência em Singapura de um órgão central para tratar da implantação de obras de engenharia naquele país, a Autoridade de Construções e Edificações de Cingapura (Building and Construction Authority, BCA). A BCA é uma agência do Ministério do Desenvolvimento Nacional de Singapura (Ministry of National Development), que defende o desenvolvimento de um excelente ambiente construído para Singapura. A mesma cuida dos edifícios, das estruturas e infraestruturas do governo daquele país.

Não é novidade que o IOP defende a criação de um órgão único com autonomia técnica para planejar, contratar e implantar obras de infraestrutura pública. A proposta do IOP encaminhada ao GTAG e ao Sen Hélio José é muito clara neste aspecto:

“o País carece de uma instituição sólida, responsável pelo desempenho dessa importante função de maneira eficiente, e, para isso, é essencial que tal instituição seja regida segundo princípios já mencionados: transparência, meritocracia e autonomia técnica.”

Fonte: IOP encaminha proposta ao Senador Hélio José, membro da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal

“A primeira medida é definir o órgão ou ministério que dará início ao processo (sugere-se o DNIT por já ter iniciado esse processo). No âmbito desse órgão, seleciona-se um conjunto de projetos, os quais serão submetidos a esta nova sistemática. À medida que a instituição ganha experiência no uso da tecnologia, novos projetos e novas equipes passam a integrar o sistema progressivamente, até que todos os projetos da Administração Pública Federal possam adotá-la de modo definitivo.”

​Fonte: IOP encaminha proposta ao GTAGdo Governo Federal​

Paralelamente, a constituição em Singapura de uma força-tarefa para compor a entrega de projetos integrados (Integrated Projet Delivery, IPD) com o objetivo de melhorar a colaboração entre projetistas e construtores e, assim, remover inconsistências antes do início das obras, vem representar uma solução bem pensada para contornar as diversas disciplinas que envolvem a implantação de um projeto de infraestrutura. Só a experiência no assunto pode definir tal solução. Uma das grandes dificuldades na implantação de obras públicas é essa grande diversidade de disciplinas envolvidas e o BIM é a grande solução atualmente para o assunto. Com ele pode-se fazer esta integração durante a fase de projeto de maneira integrada e colaborativa.

O Comitê de Diretrizes, adotado em Singapura, que passou a liderar o desenvolvimento de normas e administrar recursos de apoio para o uso colaborativo de BIM, aconselhando e orientando empresas em quais áreas principais haveria uma aplicação eficaz do modelo, demonstra a necessidade de padronização de sistemática processual e transparência com as empresas que serão contratadas para implantarem os empreendimentos. A ideia de normatização e padronização é uma constante de obrigatória preocupação para Governo. As regras precisam ser claras e factíveis para o perfeito entendimento das contratadas. Não há, atualmente, essa preocupação dos entes federados na busca por normatização de procedimentos e diretrizes construtivas. O que existe é um amontoado de legislação de difícil consulta e nenhum lugar compilando e explicando as normativas existentes e nem desenvolvendo as que estão faltando. Vale, neste momento, destacar o artigo do IOP intitulado “Importância da MERITOCRACIA e da TRANSPARÊNCIA nas instituições públicas que lidam com obras públicas”. Nele o IOP esclarece a importância destes dois temas, meritocracia e transparência. Na parte referente à transparência, destaca-se:

“Projetos sem memória de cálculo, que não demonstram a justificativa das soluções técnicas e dos custos, ou com memória de cálculo sem ser submetida à análise por engenheiros dos órgãos públicos e sem a emissão de parecer sobre tais projetos, são extremamente prejudiciais na hora da execução do empreendimento, por não dar a possibilidade de identificação de falhas no projeto. A análise do projeto apresentado à instituição precisa existir e ser realizada por profissional capacitado e com expertise no assunto. Deixar a solução técnica de determinado empreendimento exclusivamente nas mãos do responsável pela elaboração do projeto restringe a discussão pela adoção da melhor técnica e da melhor solução de engenharia para a obra em questão, sem falar na possibilidade de identificação de possíveis falhas no mesmo.

Técnicos sem a devida especialização/capacitação não possuem o entendimento integral dos projetos, e sua capacidade de analisá-los na íntegra fica comprometida. Isso dificulta a identificação de falhas nos projetos e a análise crítica dos mesmos, prejudicando a discussão sobre a melhor solução técnica para o empreendimento. O investimento na especialização/capacitação dos engenheiros é fator preponderante no desenvolvimento de projetos com maior qualidade, confiabilidade e segurança. Além disso, o retorno por tal investimento passa invariavelmente pela melhoria da qualidade do projeto, pela economia de tempo e de recursos na adoção da melhor solução de engenharia e consequentemente menor custo pelo profundo conhecimento que o engenheiro terá sobre o serviço que estará contratando.

Segundo o posicionamento do IOP, a falta de um cadastro único de obras públicas que possibilite à população acompanhar o andamento dos empreendimentos, dos projetos, dos avanços ou dos motivos de paralisação de obras, é um entrave ao desenvolvimento de uma engenharia pública transparente. A existência desse cadastro é essencial para um melhor gerenciamento das obras em andamento no país financiadas com recursos públicos, e favorece melhores controle e gestão dessas obras. A ideia gira em torno da criação de uma plataforma única onde todas as obras financiadas com recursos públicos estão cadastradas. O cidadão teria acesso a informações gerais de qualquer obra, podendo constatar o seu andamento físico e consultar o projeto da mesma, adquirindo assim a informação sobre como ficará a obra pronta. O cadastro único de obras públicas seria o primeiro passo para a integração BIM+GIS das obras públicas, ideia defendida pelo IOP.

Sem transparência, projetos ficam sem credibilidade para eventuais parcerias com setor privado, pois deixará a análise da viabilidade técnica do empreendimento inconsistente, além de deixar os riscos intrínsecos a qualquer obra menos detectável, tornando o investimento pouco atrativo para este setor. Além disso, a falta de transparência abre margem para o descontrole sobre o gerenciamento do andamento das obras, deixando o cidadão sem o conhecimento do real emprego dos impostos pagos e que financiam tais empreendimentos.”

Quando a reportagem informa que Singapura investe pesado em educação e possui uma cultura de meritocracia, vale destacar este mesmo artigo do IOP sobre Meritocracia e Transparência. Transcreve-se, a seguir, o trecho referente à meritocracia deste artigo:

“Os cargos de coordenação e direção das instituições precisam ser preenchidos por pessoas que pertencem à instituição, que a conhecem, que tem domínio sobre os temas ali recorrentes, que receberam capacitação para ali atuarem, que adquiriram experiência com os projetos ali desenvolvidos, que participam do processo de desenvolvimento das especialidades.

A experiência precisa ser valorizada pelas instituições públicas. Além disso, a instituição precisa se organizar para que seus técnicos de hoje se transformem no gerentes e gestores de amanhã. É inegável que o aproveitamento dos servidores experientes para chefiarem equipes envolvidas com os projetos trará maiores ganhos de qualidade e eficiência destes projetos. Servidores técnicos capacitados e experientes são melhor gestores nas áreas técnicas, pois dominam os assuntos relacionados ao departamento que chefiam e conhecem profundamente a instituição, podendo portanto dar encaminhamentos mais eficientes e soluções técnicas mais rápidas às demandas.

É preciso dar à instituição a capacidade de se autogerir, de se auto-desenvolver, de ter um corpo técnico capaz de aprender com a sua própria experiência, evoluindo profissionalmente e ascendendo com essa experiência adquirida aos escalões superiores da instituição para poder melhorar o processo produtivo dela e para poder melhor aplicar os conceitos de gestão e gerenciamento de projetos ao seu caso específico.

Na concepção do IOP, defendemos que as instituições sejam fortalecidas para o desempenho de suas funções, especialmente quando se trata de função essencialmente técnica, o que é o caso de obras e projetos de engenharia. Os pilares Transparência e Meritocracia devem ser priorizados dentro das mesmas, a fim de estimular seus servidores a se especializarem e se profissionalizarem. Sem dúvida isso será revertido em uma instituição mais eficiente e com maior confiabilidade em todos os seus aspectos, sejam eles técnicos ou gerenciais.

A regra para órgãos que lidam com obras públicas deveria ser a de que os cargos de direção e coordenação sejam preenchidos por técnicos da própria instituição, com observância ao princípio da Meritocracia. A instituição deve ter autonomia para nomear sua equipe de gestores técnicos, obedecendo critérios de capacidade técnica, experiência e conhecimento institucional.

Ao mesmo tempo, as instituições precisam ter seus projetos e obras transparentes. A obediência ao princípio da Transparência dá maior confiabilidade ao órgão e traz maior segurança às suas decisões técnicas. E aliado ao princípio da Meritocracia torna a máquina pública mais eficiente, mais econômica e mais justa.”

Assim, com esta publicação da revista Construção Mercado, fica claro a viabilidade e a necessidade da implantação do BIM na esfera do Governo Federal para dar maior agilidade ao processo de implantação de obras de infraestrutura pública no Brasil.

O Governo precisa adotar essa tecnologia como obrigatória nos seus projetos. A experiência de sucesso em outros países só vem reforçar o entendimento do IOP nesse sentido. Cabe agora a conscientização do Governo sobre esse tema. O Brasil não pode ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”, esperando os problemas se resolverem por si. É preciso ter a proatividade de dar o primeiro passo e adotar o BIM como obrigatório para os projetos do Governo Federal, com a mesma adoção lenta e gradual que foi feita em Singapura. O governo precisa assumir que as tecnologias atuais como o BIM são viáveis de serem implantadas e adotadas pela Administração Pública, para torná-la mais eficiente no investimento e implantação de obras de infraestrutura de qualidade e com a sua implantação dentro dos orçamentos e cronogramas inicialmente previstos.

Por fim, compila-se a seguir as lições de Singapura:

  1. A implementação do Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção, BIM, na sigla em inglês);

  2. O setor público foi quem tomou a liderança;

  3. Foi definido um cronograma para todos os novos projetos no país;

  4. Constituiu-se uma força-tarefa para compor a entrega de projetos integrados (Integrated Projet Delivery, IPD) com o objetivo de melhorar a colaboração entre projetistas e construtores e, assim, remover inconsistências antes do início das obras;

  5. Um Comitê de Diretrizes passou a liderar o desenvolvimento de normas e administrar recursos de apoio para o uso colaborativo de BIM, aconselhando e orientando empresas em quais áreas principais haveria uma aplicação eficaz do modelo;

  6. A Autoridade de Construções e Edificações de Cingapura (Building and Construction Authority, BCA) disponibilizou em seu site, gratuitamente, os manuais de referência para uso do BIM e concedeu apoio para treinamento;

  7. A existência da Autoridade de Construções e Edificações de Cingapura (Building and Construction Authority, BCA);

  8. Singapura investe pesado em educação e possui uma cultura de meritocracia.

Aprenda-se com esta experiência e siga-se este bom exemplo, só temos a ganhar e a evoluir institucional, tecnológica e profissionalmente com isso!

Segue a reportagem publicada pela Revista Construção Mercado de Outubro de 2015.

“As lições de Singapura

Para vencer barreiras na implementação do BIM, setor público foi quem tomou a liderança

Por Fernando Augusto Corrêa da Silva

Edição 171 - Outubro/2015

Na última missão técnica do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), estivemos em Cingapura para, entre outros objetivos, conhecer o sistema de aprovação de projetos imobiliários na municipalidade local.

O governo de Cingapura deu início em 2010 ao processo de implementação do Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção, BIM, na sigla em inglês). Assim como no Brasil, alguns entraves foram identificados por lá: falta de demanda de projetos em BIM, projetistas entrincheirados em práticas de desenhos em 2D, falta de mão de obra qualificada e falta de recursos adicionais para o desenvolvimento de capacitação em BIM.

Hoje, um projeto maior que 20 mil m² em Cingapura leva até 14 dias para aprovação no órgão competente

Para vencer estas barreiras, o setor público foi quem tomou a liderança. Assim, em 2012, já existiam 18 grandes projetos públicos que passaram a exigir projetos em BIM e contribuir para a disseminação do processo. Entre eles estão: Universidade Nacional de Cingapura; Agência de Defesa, Ciência e Tecnologia; Conselho Esportivo de Cingapura, Autoridade de Transportes Terrestres, entre outros órgãos.

Em paralelo, foi definido um cronograma para todos os novos projetos no país. A partir de julho de 2013 todos os novos empreendimentos com mais de 20 mil m² deveriam apresentar para aprovação o projeto de arquitetura em BIM. Um ano mais tarde, a partir de julho de 2014, todos os novos empreendimentos com mais de 20 mil m² deveriam apresentar todos os projetos em BIM. Por fim, a partir de julho de 2015, os novos empreendimentos com mais de 5 mil m² deveriam apresentar para aprovação todos os projetos em BIM.

Para dar base a tais requisições, foram disponibilizados diversos manuais de procedimentos e cursos de qualificação pessoal. O governo passou a promover e publicar casos de sucesso na implementação do BIM nas diversas áreas, como projeto estrutural, arquitetura e instalações, dentre outras. Um Comitê de Diretrizes, criado em 2011, passou a liderar o desenvolvimento de normas e administrar recursos de apoio para o uso colaborativo de BIM, aconselhando e orientando empresas em quais áreas principais haveria uma aplicação eficaz do modelo.

A Autoridade de Construções e Edificações de Cingapura (Building and Construction Authority, BCA) disponibilizou em seu site, gratuitamente, os manuais de referência para uso do BIM e concedeu apoio para treinamento. Com isso, nesses últimos anos formaram mais de 4,5 mil profissionais, conseguiram a adoção de BIM em mais de 600 empresas e criaram um fundo de investimento que, atualmente, conta com US$ 12 milhões. O resultado foi um ganho de eficiência no setor de 21,5%.

Por meio de um projeto piloto para Facility & Asset Managemet (6D) e adoção de um sistema para troca de informações sobre projetos com uso de BIM (Construction Operations Building Information Exchange, COBie), Cingapura se prepara atualmente para coletar e organizar os dados. Constituiu-se uma força-tarefa para compor a entrega de projetos integrados (Integrated Projet Delivery, IPD) com o objetivo de melhorar a colaboração entre projetistas e construtores e, assim, remover inconsistências antes do início das obras.

Como resultado, hoje, um projeto maior que 20 mil m², quando colocado em análise no órgão público competente, leva até 14 dias para sua aprovação. Os projetos devem ser encaminhados com todas as suas disciplinas modeladas, ou seja, arquitetura, estrutura e instalações.

Um exemplo da eficiência de todo esse esforço é o empreendimento Marina Bay Sands, complexo de três edifícios com cerca de 200 mil m² de área construída e investimento de US$ 5,6 bilhões. O empreendimento, que se tornou um cartão-postal do país, engloba cassino, shopping center, hotel, teatros, museu e uma piscina de 340 m de comprimento, com borda sem fim, situada em uma plataforma que se estende sobre a cobertura das três torres. A aprovação demandou apenas três meses de análise, uma vez que o projeto foi totalmente modelado.

Marina Bay Sands se transformou em cartão-postal de Cingapura. Projeto, com uso de BIM, foi aprovado em três meses

Brasil x Cingapura

Algumas lições foram apreendidas em nossa visita e poderiam ser replicadas em setores públicos no Brasil para, quem sabe, darmos início às mudanças cruciais de modernização e produtividade hoje necessárias a nossa cadeia produtiva.

Diferente do Brasil, um país continental com 200 milhões de habitantes e renda per capita anual de US$ 11,5 mil, Cingapura é uma ilha com 6 milhões de pessoas, composta por uma sociedade multicultural. Esta "Torre de Babel" era, na sua fundação, em 1965, um pobre entreposto comercial britânico, sem recursos naturais. Nesses últimos 50 anos, porém, a renda per capita passou de US$ 400 ao ano para US$ 68 mil ao ano.

Este salto ocorreu fundamentado no idealismo de seu fundador e primeiro-ministro por 30 anos, Lee Kuan Yew, que lastreou seu governo em três pilares: 1) governo íntegro e eficiente; 2) políticas econômicas voltadas aos negócios e ao empreendedorismo; e 3) disciplina, ordem social e respeito às leis.

Cingapura tem livre comércio e investimentos abertos para o mundo, investe pesado em educação e possui uma cultura de meritocracia. Como resultado, conta com escolas públicas exigentes e do mais alto nível, alta qualidade e agilidade do setor público, onde foi adotada uma política de salários altos para atrair talentos, política de boa governança e forte pressão ao combate à corrupção.

No Brasil, neste mesmo período, saímos de uma ditadura, mas hoje nos encontramos frente a um governo que se mostra com baixa integridade e eficiência, utilizando de políticas econômicas que sufocam o empreendedorismo. Nossas escolas públicas no ensino básico e no fundamental são exemplos de baixa qualidade, e assistimos à rápida deterioração de nossas universidades federais e estaduais.

Decisões importantes

O momento que o setor da construção vive atualmente o coloca à frente de rumos a serem escolhidos. Entender que a crise que vivemos hoje decorre da retração do poder aquisitivo da população, do crescimento dos juros reais, da inflação e da diminuição das linhas de crédito imobiliário é claro. A crise criou um ambiente de retração total do setor, diminuindo abruptamente o ritmo de crescimento vivido nos últimos anos. Qual será o rumo a tomar?

Sabemos que estes movimentos são cíclicos e que devemos nos preparar para uma nova fase de bonança. Para esta nova fase, o investimento externo será importante, pois trará novos instrumentos de crédito e exigirá o cumprimento de regras de transparência e rastreabilidade, garantindo confiabilidade aos retornos que serão exigidos.

​Caberá ao setor decidir se, neste momento de crise, devemos seguir os caminhos de sucesso trilhados em Cingapura, onde o processo de implementação do BIM pode classificar e organizar as informações, além de disponibilizá-las às empresas públicas e privadas, gerando ganhos de eficiência. Foi a partir da crise de 2008 vivida pelo mercado americano que o processo BIM ganhou maior velocidade, e as empresas puderam se preparar para um novo ciclo. Se formos pela mesma trilha, certamente teremos feito a nossa parte.

Caberá aos políticos atentar aos pilares estabelecidos por Lee Kuan Yew. Com estes quesitos atendidos, a classe governante reduzirá a longevidade da atual crise e preparará bases sólidas para um novo ciclo de crescimento.

Fernando Augusto Corrêa da Silva diretor da Sinco Engenharia e membro do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP”

Fonte: Na integra, retirado do site http://www.iop.org.br/#!BIM-“AS-LIÇÕES-DE-SINGAPURA”/ca9p/5626d1620cf2c6c64380ccc2

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